Sombra que amo
Se escrevo; me atrevo
Antes não rabisque um risco
Que mostre a ti,
fraqueza de mim!
És meu motivo
E as frivolidades...
tu plurifica-as
Não assuste, explico:
Como disse o menino
No pequeno livro
Como ele disse?
Brinco, nunca esqueço.
Disse que quando cativas
És responsável eternamente
Então cá estou eu
Para clamar sua incumbência
Ah sim, já me distraí
Era para contar...
Que meus pensamentos
Não vão te abandonar.
E que te encontro em tudo
E até nesse pedaço de mundo
Tua lembrança paira logo acima
É o que faz a minha linha
Sombra que amo
Não amo a forma viva
A sombra é quem me cativa
A forma resta ao meu corpo
Quem me dera separar
O que posso sentir ou passar
Já sou confuso, pasme!
Contigo então, que vexame.
Pois somente tu provocas
Em mim sentimento tão vil
Quanto a vergonha de ser
Quanto a estima de um sim
Sombra que amo
Esqueci como é encarar-te
Olho para tua sombra no chão
Receoso de perturbar-te
Sei, depois de tanta produção...
Enrolação, melação, seu vilão
Mal posso raciocinar
Um fim para isso, devo achar
E que o fim venha
Como a sombra que amo
E que não se contenha
Até que seja pleno